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Fragilidade sísmica da sua casa: conheça a resistência

Cinco ideias a reter

- A segurança tem aumentado nas casas construídas de acordo com a primeira legislação anti-sísmica (a partir de 1960) e com a segunda legislação anti-sísmica (a partir de 1985).
- A fiscalização municipal da sua aplicação, no entanto, tem sido muito deficiente.
- O acréscimo de custo de um edifício novo calculado e construído com qualidade relativamente a outro com fraca resistência sísmica é de apenas 2 a 3 por cento, na maioria dos casos.
- Há um vazio legal na regulamentação das obras de reabilitação de casas antigas.
- A segurança da sua casa não diminui pelo facto de ter sido construída em anos mais recuados.

Onde estão as maiores fragilidades * (zona de Lisboa)

Construção pré-pombalina
(concentrada nos bairros históricos)
- A sua resistência anti-sísmica é muito irregular, dependendo das condições geológicas do terreno e das características das fundações.
- A generalidade das operações de conservação e de reabilitação a que este tipo de construções foi submetida num passado recente não terá sido muito eficaz, porque se traduziu em intervenções isoladas que não tiveram em conta o efeito de quarteirão, determinante no comportamento sísmico de cada edifício.
- A excepção é o bairro do Castelo, onde houve um programa de intervenção conjunta que levou, de facto, ao reforço sísmico das estruturas antigas.

Construção pombalina
(edificada a partir de 1755, abrange a Baixa, algumas zonas dos bairros históricos e da primeira fase da expansão urbana do século XIX, como a Avenida da Liberdade, por exemplo)
- A solução original ou com pequenas alterações é excelente, o mesmo acontecendo com os edifícios pombalinos em que as estruturas originais foram totalmente suprimidas e substituídas por novas estruturas de betão.
- Os edifícios e conjuntos de edifícios onde ocorreram ampliações em altura com dois ou mais andares, ou que ficaram fragilizados por obras de alteração profunda afectando as estruturas de alvenaria do rés-do-chão, são mais vulneráveis aos grandes sismos.

Construção gaioleira
(localiza-se nas zonas de expansão da cidade a Norte e a Oeste)
- Deficiente qualidade nas estruturas de alvenaria e de madeira.
- Edifícios geralmente fundados sobre terrenos macios, argilosos ou areno-argilosos, o que aumenta ainda mais a sua vulnerabilidade sísmica.
- As estruturas alteradas com a supressão de algumas paredes e a sua substituição por vigas de aço agravam também esta situação.
- É notória a falta de travamento estrutural, visível na fragilidade das ligações entre paredes e entre paredes e pavimentos, bem como a fraca qualidade das alvenarias e as deficiências originais das fundações.
- Os edifícios em que as estruturas originais foram totalmente suprimidas e substituídas por novas estruturas de betão têm um nível de segurança elevado.

Construção mista
(zonas de expansão da cidade a Norte, como Avenida de Roma e Alvalade)
- Os edifícios que mantêm a estrutura original ou que foram objecto de pequenas alterações são bastante resistentes, devido à grande densidade das paredes - são edifícios de planta muito compartimentada - e pelo efeito de cintagem assegurado pelas lajes de betão armado.

Construção da primeira fase do betão armado (1960-1970)
(dispersa pela cidade, frequentemente em edifícios isolados resultantes de reconstruções e de preenchimentos da malha urbana)
- Deficiente organização estrutural e betões de baixo desempenho mecânico.
- Grande irregularidade das estruturas - em planimetria e altimetria -, com vigas apoiadas em vigas, grandes assimetrias na localização dos pilares e bruscas mudanças de geometria destes entre andares sucessivos, dando origem a estruturas muito flexíveis que sofreram deformações importantes que os projectos não detectaram.
- A fraca resistência mecânica dos betões fragiliza especialmente os pilares.

Construção da segunda fase do betão armado (posterior a 1970)
(dispersa por Lisboa e dominando as novas zonas de expansão que ocupam as últimas áreas livres da cidade)
- Há um número crescente de edifícios fundados por estacas, pois os terrenos disponibilizados para construção na cidade são cada vez piores do ponto de vista das suas características geotécnicas.
- A qualidade dos projectos licenciados pela Câmara Municipal de Lisboa tem sido, em geral, muito baixa, embora a partir da década de 90 se assista a uma melhoria associável ao desenvolvimento de empreendimentos de grande dimensão.
- Constatam-se numerosas diferenças entre as estruturas executadas e as que tinham sido licenciadas, a par de deficiências acentuadas na qualidade dos betões e das armaduras utilizadas, devido à ausência de fiscalização adequada e de um sistema eficaz de garantia da qualidade dos projectos (verificação e certificação).
* Segundo a Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica (SPES)